A curadoria dessa edição, seguindo a proposta da Mostra, programou trabalhos que representam bem a diversidadeda dança contemporânea. Os trabalhos, além de serem muito diferentes entre si, se destacam por serem mais performáticos. Essa aproximação da dança com a performance se dá em vários níveis, para muito além da diluição das fronteiras entre as linguagens artísticas e o não enquadramento em categorizações fixas, ligadas ao conceito de performance. Está longe, também, de certo hermetismo atribuído a tudo aquilo que foge do sistema de representação, tão disseminado e aceito pela cultura de massa e do entretenimento.

 

Há nesses trabalhos artísticos uma especial atenção na produção de presença, com um interesse especial pelo real, pelo encontro com o outro, pela intensificação dos afetos, pela experiência com a duração do tempo e pela relação com o espaço diferenciado, onde a pesquisa de linguagem tem na relação com o público e na sensibilização para novas percepções da realidade e da arte, um posicionamento ético político estético.Não é coincidência de que metade da Mostra será apresentada na Galeria Athos Bulcão – Anexo do Teatro Nacional e a outra metade será realizada nas ruas de Brasília: Setor Comercial sul, Setor Bancário Sul, Passarela entre o Conic e Conjunto Nacional.

 

As cinco obras feitas para espaços fechados não se restringem a estrutura, aparelhagem e convenções que uma sala de teatro impõe. São elas: 3 SOLOS EM 1 TEMPO de Denise Stutz (Rio de Janeiro – RJ); O LIVRO de Margô Assis (Belo Horizonte – MG); AO CAÍREM AS ABAS de Aline Brasil e Anna Behatriz Azevêdo (Goiânia – GO. MONO de Marcelo Evelin (Teresina – PI) e “DE CARNE E CONCRETO – UMA INSTALAÇÃO COREOGRÁFICA” da Anti Status Quo Companhia de Dança (Brasília-DF).

 

As cinco obras realizadas nos espaços urbanos, são intervenções urbanas e trabalham o contexto dos espaços da cidade e a interação entre artistas, transeuntes e moradores como dramaturgia, propondo resignificações, reflexões e novos afetos na realidade da vida cotidiana. São elas: ÁRVORE/PLANTAÇÃO de Clarice Lima (São Paulo – SP); SACOLAS NA CABEÇA da Anti Status Quo Companhia de Dança (Brasília – DF); PARQUEAR BANDO de Margô Assis e Thembi Rosa (Belo Horizonte – MG); POLITIKUS de Ary Coelho e Luisa Günther (Brasília – DF) e DESPACHO de Jorge Schutze (Maceió – AL).